Menu secreto (1)
O seu chapéu panamá, companheiro há quatro décadas, repousa no canto desgastado da mesa de quatro lugares, enquanto, a seu lado, o guardachuvas se espicha pra tocar com a outra ponta no chão. Doido? – era a única resposta. Também, pois, a única solução.
O ritual era sempre o mesmo para aquele velho homem, pouco corcunda e muito teimoso. O chá ficava servido no outro extremo da mesa, enquanto a alma carente tomava seu café preto em três goles exatos, queimando a língua no último. E, ao se levantar, dava uma espiadela para a xícara do chá, cheia, como que dizendo para não ter pressa, enquanto assobiava e cantava uma canção para o tempo:
“A chuva se foi, se foi, se foi.
E a umidade também. Ruim para quem?
A chuva se foi, então seca o chão.
No sul e no norte é tudo sertão. “
(continua)


