julho 4, 2009 por dsallaberry
A vida é tão curta que não dá tempo de viver. Meu luto é por quem sabia driblar o tempo – e se foi.
Terceira maior influência prática no meu estilo de fotografar, alguém em quem me espelhava. Grande mestre de conhecimento cultural inimaginável: um guri de 27 anos, com pelo menos o dobro de vida aproveitada do que muitos idosos – uma alma sorridente, iluminada, iluminante.
Vai em paz guerreiro. Um dia eu te acho pra pagar a cerveja que fiquei te devendo. Até mais ver, Fred. Até mais ver, Chico Madrid.
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junho 8, 2009 por dsallaberry
Somos nós: eu e minhas dúvidas. Dúvidas que me seguem, dúvidas que me ofuscam, que enfrentam minha personalidade.
Nós: eu e minhas incertezas, minhas indefesas tristezas, minhas carências e minhas faltas.
Falta algo, falta. Que se completa sem aviso; e se quebra, e me leva com isso.
Falta algo; e faz falta, e me afeta. Acerto o relógio mas sempre estou atrasado, cansado; contudo, alerta.
Aberta é a minha mente para que as coisas se resolvam da melhor maneira, para que não fiquem como estão: um vazio, um nada, um vão.
São dias de felicidade, alegrias que vem e vão. Momentos que ficam.. e que ficam no chão.
O teto parece querer cair sobre mim para acabar logo com esta solidão. Não me importo.
Respiro e espero. Espero só um signo, um ritmo, uma canção; ou um motivo qualquer para eu pegar a tua mão.
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junho 5, 2009 por dsallaberry
Faz frio, sim, faz frio. Lá fora e aí dentro. Sim, aí dentro. É, o frio vem de dentro também. Faz frio. E o frio vem e fica. Congela. Congela por dentro. Até que não se sente mais o frio… daí o calor é que vira o estranho.
Estamos vivendo assim: existe indiferença, e quem faz a diferença é que é mal visto. O frio está em quase todos, dentro e fora. Tapar-se até os olhos não resolve. Tapar os olhos também não resolve. A palavra tem a força, o poder de aquecer.
Esquece as coisas ruins quando te perguntam se estás bem, sorri sempre que puder (e podes sempre), dá bom dia pra quem te olha por mais de dois segundos. Conversa. Conversa gentilmente. O ritmo da tua voz é que faz o clima da conversa. Aquece, com a palavra e com o olhar, o frio que faz aí dentro. Ele derrete, não precisa que ninguém faça muito. Precisa é que muitos façam um pouquinho só. Eu gosto do frio, gosto mesmo, mas do frio da rua. O de dentro, quebro já!
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junho 5, 2009 por dsallaberry
Pois é. 20 anos se passaram. o guri cresceu. 20 anos de insistência, 20 anos brigando contra a necessidade de abrir os olhos demanhã cedo. 20 anos.
Caramba, só 20 anos! Um bebê recém saído das fraldas! Sem bagagem nenhuma de vida. O que um guri desses quer??
20 anos meu amigo… bem vividos, diria eu.
Nunca mergulhei com tubarões, mas já plantei bananeira no cassino com minhas irmãs.
Não sou faixa preta de nada, mas já finalizei meu irmão no sofá da casa da minha mãe sem nem desarrumar o tapete.
Nunca fui pai (nem mãe) mas um olhar dos meus basta pra eu entender tudo o que pensam.
Nunca controlei o tempo, mas já bebi até ver um ponteiro andar 120 vezes pra fechar um minuto.
Nunca consegui diferenciar vinhos pelo cheiro, mas já tomei 3 litros e meio de vinho de 5 pila e fiquei estirado na calçada com pessoas passando por cima de mim.
Nunca entrei numa loja e comprei compulsivamente, mas já pedi o troco todo de bala de 1 centavo (aqueles fejõezinhos coloridos) e comi tudo antes de chegar em casa.
Nunca entendi o que quer dizer uma pintura tipo "óleo sobre tela – a abstração de sentimentos", mas identifico mil formas cada vez q olho nas nuvens.
Nunca fui extraditado, mas já atravessei a ponte Uruguay – Brasil dezenas de vezes pra não perder o almoço na casa de alguma tia.
Nunca vi neve, neve que cai, que dá pra fazer boneco de neve; mas já encaranguei de frio com a geada que branqueava os campos lá fora.
Nunca vi uma catarata, nem fui a Foz; mas já dancei seminu na chuva, já entrei com água até a cintura na enchente e já cuspi água pra cima pra imitar um chafariz.
Nunca fui à Europa mas tenho sotaque britânico pra falar inglês e odeio as pessoas que não entendem a cultura local.
Nunca vi um carbono. Aliás, dá pra ver um? Nem sei, mas AMO química orgânica, e já fiz uma apostila de exercícios depois de formado.
Nunca assisti um jogo de Rugby pessoalmente, e nem entendo de todas as regras, mas adoro chamar de rugby a pseudopancadarialúdica que envolve amigos e amigas, uma bola (de volei geralmente) e a praia do laranjal.
Nunca nem cheguei perto de um "time de verdade", mas já fiz aquele gol no último minuto de jogo, já driblei 4 e dei o passe no "ajunts" da gurizada e já tirei aquela bola de cima da linha no campeonato e saí me considerando "jogador semiprofissional".
Nunca lutei em um campeonato grande, na verdade mal me lembro de lutar e brigar na minha vida. Mas meu chute sempre atingiu a altura da cabeça, minha esquiva nunca deixou o amigo dar um "pedala" enquanto estava desprevenido e meu reflexo geralmente salva os talheres que vão rumo ao chão.
Nunca dancei tango, não a sério; mas no forró universitário eu já fui até em cima, até embaixo e até lá embaixo, no chão, no meio da festa, e demorei a levantar pois tive uma crise de riso.
Nunca cantei num microfone mas me sinto quase um popstar quando pego meu violão nas festinhas dos amigos.
Nunca ganhei um concurso grande de fotografia mas encho a boca pra dizer que sou fotógrafo de verdade.
Nunca namorei mais de um ano. Talvez nunca tenha amado. Ou talvez exatamente por ter que nunca tenha durado. Ou não. Mas acima de qualquer coisa me considero um "amante latino", apaixonado, carinhoso e único. E ainda sou conselheiro amoroso nas horas vagas.
Também nunca escrevi um livro. Ainda não. Ainda. De fato, acho que não vivi o suficiente.
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junho 3, 2009 por dsallaberry
Encontrei este fragmento de texto numa página rabiscada do meu caderno de primeiro semestre de jornalismo. Era um exercício no qual deveríamos escrever uma resposta a um texto que tratava nosso país como um lugar de felicidade plena e muito glamour. Aí vai, espero que gostem. Na época eu tinha de 16 para 17 anos.
(Sem título)
Em nenhum lugar do mundo há tristeza tão grande nos céus, nem madrugada mais inquieta. O sol em nenhum outro país tem tanta vergonha do que se passa sob seus raios.
As estrelas são causadoras da luz única que recai sobre a mortalha que encobre os delitos; O horizonte, inalcançável, nada mais é do que o reflexo da esperança que ainda se mostra nos olhos do povo infeliz.
As águas são insuficientes para lavar a sujeira depositada no caráter de muitos, e nem mais elas são tão puras assim.
De qualquer maneira a semente é plantada a cada dia em busca de que a juventude possa colher, sabe-se lá quando, o tão sonhado fruto conhecido por “país ideal”.
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junho 1, 2009 por dsallaberry
Se ela não fosse tão bruta
Tal qual um diamante não lapidado,
Fosse um grafite, um palpite, um escárnio,
Uma medida possível, um pensamento
Ou um broche, um pingente no escapulário…
Se eu a pudesse levar aonde quisesse,
Que de encontro a mim viesse, e, entre todos
Puxasse minha mão, olhasse em meus olhos
E do resto do mundo se esquecesse
Seria, definitivamente, tudo tão mais fácil!
Ah! E mentira é quando digo que não a faço tremer.
É sensação de arrepio. Frio, medo? Querer!
A respiração que passa, o perfume que ficou
Os dias contados para a próxima visita…
Não mais, minha amiga, o que passou, passou!!
E como se enfrenta a solidão? – diz ela:
“Sem ti não possuo nem a mim”. Possuo!
Controlo, Domino, Comando, Conspiro! Possuo?
Não possuo. Nunca possuí. Só não sabia até chegar até aqui.
Como o dia que finda, como a chuva que acaba,
Que limpa o ar, que se esvai, que nos lava
E leva a fome, que passa, e o veneno, que desgastara o pensamento que se alinhava.
Como no fim dos tempos, (eu) como à minha própria carne se necessário for.
Se um dia eu tiver de morrer – e terei – certamente não será pelo tal do amor.
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abril 3, 2009 por dsallaberry
Luz é para ser usada. A favor ou contra, no assunto ou ao fundo, o que importa é que exista. E uma das vantagens de não se usar a máquina no automático é a possibilidade de fazer “silhuetas” em muitas situações. Aí estão algumas delas:
Contra a Descrença:
Igreja da Nsa Sra da Saúde, Ilha dos Marinheiros, Rio Grande do Sul. Eu e o Douglas, colega de faculdade, fomos cobrir a preparação da festa que ocorreria no dia seguinte. Perto da hora de sair, a luz começou a baixar. Fomos do salão da Comunidade à Igreja. Alguns cliques no sentido fora-dentro. Quando cheguei no altar e virei para a rua imaginei uma foto e tentei por em prática. Essa fez a viagem valer!
Contra o Sedentarismo:
Pauta no Laranjal. O Sesc organizava durante as manhãs um grupo para praticar exercícios. A grande maioria era de idosos, que enfrentavam o sol com toda a disposição do mundo. Orientados por um estagiário da área de Educação Física, a primeira coisa que faziam era um completo alongamento do corpo. Enquanto alongavam eu me deitei no chão e fiz mais um contraluz para meu portifólio.
Contra a Mesmice
Quem em Pelotas nunca viu o nascer do sol na praia do Laranjal não sabe onde mora. Estávamos gravando o clipe da banda Soul da Silva: fogueira, praia, violão e amigos. E o sol nascendo. No trapiche, um trio admirava a cena. Caminhei até que ficassem na reta do sol, ajustei as informações na câmera e fiz a foto, esperando que um daqueles pássaros que por ali passavam saísse na foto. Confirmei quando vi a foto no computador.
Contra o Mundo
Páscoa de 2008. Fui fotografar para uma agência de turismo a viagem ao Forte Sta Tereza, Uruguay. O pessoal pediu para tirar uma foto sobre o muro do forte, à beira da bandeira do UY. Eu fiz a foto comum, de registro. Antes que eles saíssem eu pedi para esperarem um pouquinho que eu ia tentar fazer uma coisa. Aumentei a velocidade, fechei mais um pouco o diafragma “a olho” e pedi para que não ficassem tão juntos para a foto. Eu gosto de chamar essa de “Conquistadores do Mundo”.
MAIS POSTS FOTOGRÁFICOS: http://diogosallaberry.wordpress.com
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janeiro 22, 2009 por dsallaberry
Uma exata semana depois já consigo falar alguma coisa. Porém só consigo falar sobre o que me revolta.
Sigam assim. Lotem seus blogs de textos tristes. Criem três albuns de luto no orkut. Ponham fotos do velório em seus flickrs. Criem quinze comunidades de pesar para cada vítima. Falem como “foi feio o acidente, uma tragédia”. Puxem esse assunto com todos… Mandem recados pra quem conhecem e quem não conhecem, pedindo para que olhem os seus textos, suas fotos e comentem. Digam que sentem muito mesmo sem nunca ter sentido o batuque da garra explodindo no peito enquanto um arrepio percorre o corpo, o orgulho toma conta e o Xavante entra em campo. Sigam assim, falando como se fossem íntimos das vítimas, como se tivessem pensado alguma vez em suas vidas o quanto eles lhe eram caros e como “poderia ter sido diferente”.
Como seria se as vítimas fatais não o tivessem sido em um acidente com a delegação? Se eles simplesmente não acordassem um dia, como seria? Tanta divulgação? Tanta “tristeza”? Quem é Xavante DE VERDADE sente, sabe. Respira o GEB, dorme e sonha com ele. E não faz dele, muito menos do acidente, motivo de autopromoção.
Respeitem o Xavante, respeitem o acidente, respeitem as vítimas e as famílias. Doem sangue três vezes por ano, abracem mais seus pais, conversem mais com seus irmãos mais novos, ajudem seus colegas de trabalho que passam por dificuldades, perguntem se seus amigos estão bem. Quem sabe assim, um dia, algum desses pode esquecer o egoísmo humano e, no lugar de tentar se autopromover quando for a TUA vez, resolva fazer algo por ti e por aqueles que ficaram.
Agora, por favor, deixem os guerreiros em seu descanso; em PAZ.
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dezembro 5, 2008 por dsallaberry
Dá pra cá meu violão! dá-me conversa, carinho e atenção
olhos nos olhos, pele na pele; toque, respiração…
põe-me no colo e me faz cafuné. enche-me de beijos, fecha os olhos, faz o que quiser
Sorri pra sempre sempre sempre que puder; sorri pra mim e te diverte da vida
Olha pra mim como que o dia não tenha ainda acabado, com aquela cara de riso meio debochado, que supera o tempo, o mundo e qualquer obrigação
Rouba meus chinelos, te enrola nua na minha camisa; sai à noite, comigo, contra a brisa. Deixa os cabelos voarem, os passados se apagarem, dedica esse tempo pra nós e esquece o que de fora possa vir.
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agosto 25, 2008 por dsallaberry
Até o silêncio nos fala quando necessitamos de uma voz que nos guie. Pena que nao o conseguimos entender.
Será que teríamos minutos suficientes para permanecer em silêncio a cada morte injusta?
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